Ato Médico

Veículo: Diário de Pernambuco

Data: 10/03/2010

Título: Profissionais da saúde se unem contra ato médico

Veículo: EmSergipe.Globo.comData: 10/03/2010

CRM de Sergipe defende implantação do Ato Médico

O Presidente do Conselho Regional apresentou argumentos após manifestação da categoria

Denise Gomes e Flávio Antunes, de Aracaju

Na manhã desta quarta-feira, 10, foi realizada uma entrevista coletiva na sede do Conselho Regional de Medicina de Sergipe, localizado no Centro da capital sergipana, onde a pauta principal foi a implantação da Lei do Ato Médico, que foi motivo de protesto na tarde de ontem, 09, ocasião em que diversos profissionais da área médica foram às ruas para contestar a aprovação do ato que tramita no Senado Federal.

O Ato Médico é o conjunto das atividades de diagnóstico, tratamento, encaminhamento de um paciente e que coloca a categoria médica em condição hierárquica superior a outras treze áreas de saúde, ou seja, seguindo esta diretriz, os pacientes que buscam o serviço médico independente da patologia, devem primeiro ser consultados por um médico, o qual irá fazer uma triagem e a depender do diagnóstico apresentado, o paciente será então encaminhado à outras especialidades.

Assim, o panorama existente hoje, onde muitas vezes o próprio paciente vai em busca de um especialista em determinada área, de acordo com sintomas identificados por ele próprio, irá mudar. Será preciso passar inicialmente por avaliação médica, para depois, seguir

O presidente do Conselho Federal de Medicina, Roberto D’ávila alega que a busca pelo poder de outros gestores de profissões da saúde são os principais responsáveis por essas discussões. “Observo com preoculpação esses impasses, porque vejo que são grupos isolados de algumas profissões como psicologia, fisoterapia e muito mais isolado da enfermagem que são contra o ato médico. Na verdade existe questões internas, coorporativistas, disputas de poder ou até mesmo questões ideológicas, no sentido de desqualificar o médico, tirando assim o mesmo da assistência a saúde”. disse
De acordo com o presidente do Conselho Regional de Medicina de Sergipe, Henrique Batista e Silva, a medida serve para regularizar a atividade médica e preservar o diagnóstico dos pacientes, “Estamos há anos na luta pela regularização médica através das leis, haja vista que outras áreas da saúde já estão com as suas profissões regulamentadas. O que queremos é apenas preservar diagnósticos e os tratamentos dos pacientes, que inclusive são ações médicas. Esse procedimento do Ato Médico que consta nas leis, não irão atrapalhar de maneira alguma as outras profissões. Reforço, que o que esses profissionais querem é ter atribuições médicas e isso não os competem”, afirma.

Ainda segundo o presidente, o apoio do Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, pode auxiliar no desfecho do processo que está em tramitação desde o ano de 2002. “Já são muitos anos de impasse, devido a uma série de processos movidos na Justiça por parte de profissionais de outras especialidades. Mas, acreditamos que até junho deste ano o ato seja aprovado pelo Senado”, informa.

Veículo: Diário CatarinenseData: 10/03/2010

Profissionais são contra o ato médico

Profissionais e estudantes da área da saúde participaram de manifestações, ontem, em Florianópolis, Lages e Chapecó contra o Projeto de Lei 268/2002, que altera a regulamentação da profissão de médico. O projeto tramita no Senado.

De acordo com os manifestantes, o projeto, conhecido como ato médico, interfere na atuação de outros profissionais da saúde.

– Nós somos favoráveis à regulamentação, mas não da forma como está elaborada. Com esse projeto, as pessoas teriam que passar sempre pelo diagnóstico de um médico antes de ser encaminhadas para outros profissionais e a prescrição de medicamentos seria feita exclusivamente por médicos. Para dar um exemplo bem simples, uma enfermeira não poderia aplicar uma vacina sem uma prescrição – disse o presidente do Conselho Regional de Psicologia, Celso Tondin.

Outro ponto questionado por Tondin é o trecho do projeto que determina que os serviços da área devem ser chefiados apenas por médicos:

– A saúde é essencialmente multiprofissional. Esse projeto, na nossa opinião, fere os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), que preserva o atendimento integral à população.

Conselhos discutem o assunto com senadora

Em Florianópolis, profissionais e estudantes de Psicologia, Fisioterapia e Terapia Ocupacional, Farmácia, Enfermagem, Serviço Social, Nutrição e Educação Física participaram da passeata. Eles se concentraram no Largo da Alfândega e caminharam por diversas ruas, distribuindo panfletos contra o ato médico.

O assessor da senadora Ideli Salvatti (PT-SC), Cláudio Schuster, que recebeu uma carta dos manifestantes, pedindo a não aprovação do projeto, avisou que a senadora confirmou uma reunião com os presidentes dos conselhos profissionais para hoje, às 13h, no gabinete de Florianópolis.

O mesmo pedido foi encaminhado para os senadores Raimundo Colombo (DEM-SC) e Neuto de Conto (PMDB-SC). A manifestação contra o ato médico ocorreu em outros 18 estados do país.

Veículo: FatimanewsData: 10/03/2010

Manifestantes foram às ruas recolher assinaturas e pedir o fim do projeto que está prestes a ser votado no Senado

Assinaturas serão encaminhadas aos senadores de MS

Professores, acadêmicos e profissionais da saúde realizaram ontem em Campo Grande e Dourados, protesto contra o projeto de lei nº 7.703/06 que regulamenta o exercício da medicina. Polêmica, a chamada Lei do Ato Médico pode restringir a possibilidade de outras profissões, como fisioterapeutas e nutricionistas, entre outros, de fazer diagnósticos e oferecer tratamento. A proposta aguarda votação no Senado.
Pelo projeto, apenas médicos estão autorizados a diagnosticar doenças e prescrever tratamentos. As outras 13 categorias da área da saúde, não. Fisioterapeutas, biomédicos, enfermeiros e psicólogos, entre outros, afirmam que perderão sua autonomia de atuação caso o projeto seja aprovado e sancionado pelo presidente Lula.
O manifesto de ontem teve apitaço na capital e distribuição de panfletos. Os manifestantes tomaram as principais ruas de Campo Grande. O movimento foi organizado pelo Conselho Regional de Psicologia. Já em Dourados, quem tomou frente do manifesto foi a Faculdade de Ciências Biológicas e da Saúde da Unigran. Com cartazes e faixas, acadêmicos e professores da área da saúde tomaram as ruas, quando os semáforos fechavam. Acadêmicos da UFGD e Uems também participaram. O objetivo foi chamar a atenção da população.
Segundo profissionais da saúde, o projeto prejudica as outras 14 profissões não-médicos que, a partir da aprovação da lei, dependerão de prescrição médica para qualquer tipo de diagnóstico ou tratamento. Psicóloga há 7 anos, Aletéia Henklain Ferruzzi, professora da Unigran, diz que o Ato Médico é uma tentativa de organizar a profissão dos médicos. Contudo irá prejudicar as demais. “Isso acontecendo o paciente só poderá procurar o psicólogo, o nutricionista e demais atendimentos terapêuticos com a prescrição médica”, criticou.
Ao mesmo tempo que o manifesto era realizado, assinaturas eram colhidas para abaixo-assinado. Os municípios da região também estão colhendo assinaturas, bem como a capital. Todas elas serão encaminhadas para os senadores de Mato Grosso do Sul, Valter Pereira, Delcídio do Amaral e Marida Serrano.
“Um profissional não trabalha sozinho. Seria uma responsabilidade muito grande para o médico. Lutamos tanto pelo SUS, pela transdisciplinaridade da saúde e agora um projeto quer derrubar essa conquista, que é do povo. Isso é uma visão ditatorial, percebida até por muitos médicos”, finalizou a professora do curso de Farmácia, Ana Cláudia Raminelli.

Veículo: Gazeta de RibeirãoData: 10/03/2010

RP é a 2ª do Estado em proporção de médicos, mas há má distribuição, dizem profissionais

MARINA ARANHA
Especial para a Gazeta

Ribeirão Preto é a segunda cidade do Estado em número de médicos por habitantes, com taxa de 6,13 para cada mil moradores do município. O número só é menor que o da cidade de Santos, que registra 6,34 profissionais por mil habitantes. Quando analisadas as regiões que pertencem a delegacias do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), a de Ribeirão assume o primeiro lugar do Interior no ranking, com 2,86 médicos para cada mil habitantes. Em sua frente, apenas a Capital, com taxa de 4,31.

De acordo com o conselheiro regional do Cremesp, Isac Jorge Filho, os profissionais se instalam em regiões em função de conveniências, mas não há qualquer política pública que incentive a adequação do número de médicos à necessidade das cidades e regiões. “Ribeirão Preto, por exemplo, tem três grandes faculdades de medicina, mas é difícil controlar, porque o tipo de economia do País, que é capitalista, estimula as escolhas pela remuneração e não pelas diferenças sociais”, afirmou.

Para o pediatra Gilberto Soares Gaspar, o alto número de médicos em Ribeirão pode representar dificuldades a quem está começando. “Eu já sou formado há mais de 20 anos, estou estabelecido, mas acho que deve ser difícil para os novos médicos. Arrumar uma clientela boa, por exemplo, é complicado. Por isso, muitos trabalham em mais de um emprego”, afirmou.

E a pesquisa do Cremesp comprova a afirmação do pediatra. De acordo com os dados, mais de 30% dos médicos do Estado têm mais de quatro empregos. Apenas 18% têm um único vínculo profissional. Para o conselheiro regional do Cremesp, essa opção compromete o atendimento. “Com mais de um trabalho, o profissional não tem tempo para atender com calma cada paciente e esse é um dos fatores envolvidos na qualidade”, analisou.

Ainda de acordo com Jorge Filho, o Cremesp luta por um plano de carreira ou salário, para distribuir os profissionais pelas regiões de acordo com as necessidades da população. “A rede publica paga mal e oferece condições de trabalho ruins, e aí acontece o que se vê em Ribeirão. Abrir concurso e não preencher as vagas. É um paradoxo estranho, já que sobram médicos.”

Problema é a distribuição

Ribeirão pode se gabar por estar bem acima do que preconiza a Organização Mundial de Saúde —segundo o órgão, uma cidade deve ter um médico para cada mil habitantes. Mas para o conselheiro regional do Cremesp, Isac Jorge Filho, o problema da região de Ribeirão Preto é a distribuição dos profissionais. “A região tem uma concentração de médicos similar a dos Estados Unidos, que tem 2,4 para cada mil habitantes. O problema não é a quantidade na distribuição, mas a qualidade dela”, disse. Segundo o pediatra Gilberto Soares Gaspar, a cidade de Ribeirão concentra algumas especialidades de médicos e sente falta de outras. “Aqui tem muito ginecologista e clínico geral, por exemplo. Já alguns profissionais, como os de neurologia pediátrica, temos dificuldades em encontrar”, afirmou. (MA)

Estudantes e profissionais protestam contra ato médico

Cerca de 2 mil estudantes e profissionais de 14 áreas ligadas à saúde protestaram ontem em vários pontos da cidade de Ribeirão contra o Ato Médico — Projeto de Lei que tramita no Senado Federal e autoriza apenas médicos a diagnosticar doenças e prescrever tratamentos a pacientes. Fisioterapeutas, biomédicos, enfermeiros e psicólogos, entre outros, afirmam que perderão autonomia de atuação caso o projeto seja aprovado e sancionado. A queda-de-braço entre os médicos e as demais especialidade da saúde começou em outubro do ano passado quando o Ministério da Saúde resolveu especificar as áreas de atuação do médicos. Se aprovada a lei, somente médicos poderão fazer procedimentos invasivos na pele, usando produtos químicos ou atingindo o tecido subcutâneo. De acordo com a proposta, farmacêuticos, por exemplo, não poderão aplicar injeções e sessões de acupuntura serão atividades privativas aos médicos. “Não somos contra a especificação da ação médica. Só não queremos restringir os atendimentos a apenas uma classe”, disse Reginaldo Barbosa, estudante do quarto ano de Farmácia. Para o presidente do Sindicato dos Médicos de Ribeirão, Marco Aurélio de Almeida, a medida contribui para melhorar os atendimentos. “Ninguém perde. Alguns procedimentos, só os médicos estão aptos a realizar.” (Lucas de Castro)

Veículo: Congresso em focoData: 05/03/2010

Ato médico será alvo de protesto em dez capitais

Fábio Góis

No próximo dia 9, dez capitais do país vão ser palco de um movimento intitulado “Dia Nacional de Luta contra o PL do Ato Médico”, promovido pelo Conselho Federal de Psicologia, que pede a rejeição dos congressistas ao Projeto de Lei 25/2002 (número de origem protocolado no Senado – leia mais), em tramitação há mais de sete anos no Congresso.

Leia também:
Câmara aprova ato médico, com dúvidas sobre acupuntura

Apresentado em 27 de fevereiro daquele ano pelo então senador Geraldo Althoff (PFL-SC), o PL define ato médico como “todo procedimento técnico-profissional praticado por médico habilitado e dirigido para promoção primária (promoção da saúde e prevenção de enfermidades), prevenção secundária (contra evolução de enfermidades e execução de procedimentos diagnósticos e terapêuticos) e prevenção terciária (invalidez ou reabilitação de enfermos)”.

Em síntese, o projeto estabelece que todos os procedimentos com fins terapêuticos “são atos privativos do profissional médico”, excluindo a possibilidade de que profissionais das chamadas terapias alternativas possam também executar legalmente tais procedimentos. A proposição ainda confere ao Conselho Federal de Medicina as tarefas de “normatizador e fiscalizador” do exercício da medicina no Brasil.

Argumento histórico

Na justificativa do PL, o autor alega que a Medicina é a mais antiga profissão e, até o Renascimento, apenas Medicina e Farmácia eram atividades relacionadas ao setor da saúde. Depois, alega o ex-senador Geraldo Althoff, vieram a Odontologia, a Enfermagem e, já no século XX, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Biomedicina etc, que passaram a realizar atividades “exclusivamente médicas”.

O autor argumenta então que a proliferação destas profissões análogas à medicina criou a “necessidade das instâncias responsáveis” de regulamentar o exercício da medicina por meio do conceito e aplicação “ato médico”, de maneira a dar caráter legal à atuação deste profissional.

Sociedade em risco

O presidente do Conselho Federal de Psicologia (CFP), Humberto Verona, disse ao Congresso em Foco que, caso aprovado pelo Parlamento e avalizado por sanção presidencial, o projeto colocaria a sociedade sob “riscos”. “Queremos chamar a atenção da sociedade para os grandes riscos que a saúde corre com a aprovação deste PL. Toda a saúde ficaria nas mãos de um único profissional”, disse Humberto, referindo-se à concentração de diagnósticos e prescrição de tratamentos nas mãos dos médicos profissionais.

Pós-graduado em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo e especialista em Psicologia do Trabalho, Humberto diz que o projeto significa um rompimento com o modelo de saúde implementado no país e praticado mundo afora, em que médicos e demais profissionais da área lançam seus “olhares” em casos de enfermidade.

“O PL é totalmente contrário à política implementada pelo Sistema Único de Saúde no Brasil. O problema de saúde não tem uma única causa. Ele é multideterminado, e é mais bem compreendido se for observado de vários ângulos, submetido aos olhares dos vários profissionais de saúde em atividade atualmente”, acrescentou, lembrando que a “troca de informações” entre médicos e os demais profissionais da área propicia mais eficácia nos diagnósticos e tratamentos.

Segundo Humberto, o projeto cria uma “animosidade, uma separação drástica” entre médicos e outros profissionais, impedindo “o encontro saudável entre as profissões”. “O médico não vai ficar nem um pouco interessado na opinião de outros profissionais”, emendou, lembrando que o Conselho Nacional de Saúde reconhece, além do médico, outras 13 profissões do setor. Humberto disse ainda que, caso o projeto seja aprovado pelo Congresso, recorreria ao presidente Lula e pediria o veto à matéria. “O presidente tem manifestado publicamente preocupação com o projeto da maneira como ele está.”

“Modelo falido”

O levante contra o PL 268/2002 tem o apoio de 61 entidades do setor, capitaneadas pelos conselhos Federal e Regional de Psicologia (veja a relação de entidades envolvidas no movimento). Atos, marchas e atividades culturais, além de serviços de atendimento ao público, estão previstas para esta terça-feira (9), nas seguintes cidades: Belo Horizonte (MG), Goiânia (GO), João Pessoa (PB), Natal (RN), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), São Paulo (SP) e Vitória (ES), além de três municípios de Santa Catarina (Florianópolis, Lages e Chapecó).

Em defesa de outras profissões do setor de saúde, as entidades voltam a carga contra o Conselho Federal de Medicina, a quem atribuem a tentativa de controle do setor da saúde por meio do projeto. No site, as entidades alegam que o projeto sofreu alterações em sua tramitação no Congresso, “mas ainda condiciona à autorização do médico o acesso aos serviços de saúde e estabelece uma hierarquia entre a medicina e as demais profissões da área”.

A rejeição à matéria, com direito a site que reúne um variado arsenal de textos, notícias, vídeos e imagens contra o ato médico, fundamenta-se no argumento de que “o texto atual do PL propõe o retorno a um modelo falido de atenção à saúde, centrado no atendimento clínico, individual, medicamentoso e hospitalocêntrico, o qual não encontra respaldo nem nos organismos internacionais de saúde nem na legislação brasileira”, em detrimento do “conceito ampliado de saúde” que orienta a comunidade mundial do setor.

A matéria já foi analisada pelas comissões de Constituição e Justiça (CCJ) e de Assuntos Sociais (CAS) tanto do Senado quanto da Câmara, tendo passado pela relatoria de diversos parlamentares. Depois de ter recebido alterações pelos deputados, a matéria retornou à Casa de origem e espera nova apreciação na CCJ antes de seguir para a CAS. “A Câmara piorou ainda mais a versão que veio do Senado, porque torna mais corporativo o projeto”, disse o presidente do CFP.

Já o presidente da CCJ, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), prefere a cautela ao comentar o projeto, que ainda não está pautado para votação no colegiado – aguarda parecer do relator Antônio Carlos Valadares (PSB-SE). “Vamos esperar para ver o relatório, para que ele possa contemplar todas as profissões”, disse o senador ao Congresso em Foco, acrescentando que, desde que outros profissionais se orientem pela eficiência técnica e pelos ditames legais, as atribuições podem ser compartilhadas.

O relator do PL na CCJ, Antônio Carlos Valadares, disse à reportagem que formou um grupo de trabalho com consultores do Senado e, em breve, apresentará um relatório “o mais consensual possível”. “É um assunto muito delicado. Vamos estabelecer um trabalho visando o consenso e fazer um projeto que atenda a todas as categorias”, disse o senador, para quem as alterações feitas na matéria pelos deputados deixaram “muito contrariadas” as outras 13 profissões de saúde.

Valadares disse já ter debatido o assunto com representantes das 13 profissões e, nos próximos dias, ouvirá médicos profissionais. Ele acredita que, por meio de um “diálogo objetivo”, é possível que haja possibilidade de elaborar um projeto conjunto a partir de pontos consensuais na CCJ e na CAS.

Veríssimo

A burocracia que seria causada pelo PL do Ato Médico, atacada pelos opositores do projeto, é o mote de um texto atribuído no site ao escritor Luiz Fernando Veríssimo. Intitulado “A mulher que morreu de topada – Tragédia em um ato” e escrito em forma de roteiro de peça teatral, o texto ironiza a fragilidade do sistema de saúde brasileiro ao colocar como protagonista a Dona Saúde, cujo calvário começa com um dedo machucado – e culmina em morte, graças à precariedade do sistema.

“Há anos ela não vinha bem. E culminou com a topada”, diz o marido da Dona Saúde. “Ela morreu de topada?!”, diz a “1º mulher”, umas das personagens. “Bem, a topada foi só o começo. Ela morreu por falta de atendimento médico”, explica o marido.

No texto, que tem uma pitada de humor irônico, o marido da Dona Saúde recusa o atendimento de um fisioterapeuta, de um psicólogo, de uma enfermeira e, exigindo que um médico profissional cuidasse da topada, vê a própria mulher morrer. Para ele, os demais profissionais de saúde eram “amadores” ou “charlatães”.

Veículo: O RepórterData: 04/03/2010

Manifestações contra o PL do Ato Médico acontece em dez capitais

Por Redação

Brasília (O Repórter) – Estão marcadas para o dia 9 de março manifestações em dez capitais brasileiras pela rejeição ao chamado PL do Ato Médico, que tramita no Senado Federal. As atividades – atos, marchas, atendimentos ao público, atividades culturais – estão sendo organizadas por conselhos profissionais da área de saúde. Outras capitais devem confirmar suas programações nos próximos dias.

Para os conselhos, o PL do Ato Médico, se aprovado, representará um retrocesso para a saúde, prejudicando a autonomia das outras 13 profissões da área e impedirá a organização de especialidades multiprofissionais em saúde.

Em São Paulo, manifestação reuniu 20 mil

Nas cidades de São Paulo e Curitiba, as manifestações ocorreram no último sábado, dia 27. Na capital paulista, a manifestação reuniu 20 mil pessoas no Parque do Ibirapuera e houve, além do protesto, atendimento ao público em diversas especialidades de saúde e show de Zeca Baleiro.

O evento contou com apresentações artísticas e uma fala dos representantes dos Conselhos Regionais de Psicologia, Fisioterapia e Terapia ocupacional, Serviço Social, Biomedicina, Óptica e Optometria, Farmácia e Fonoaudiologia.

Seis cidades paranaenses já realizaram manifestações

No Paraná, também dia 27, houve manifestação pública em diversas cidades do Estado, entre elas: Cascavel, Curitiba, Londrina, Maringá, Umuarama e União da Vitória. A iniciativa foi do Conselho Regional de Psicologia do Paraná.

Em Curitiba, a manifestação aconteceu na manhã do dia 27, na Boca Maldita, reunindo psicólogos e estudantes. Houve distribuição do Manifesto do Sistema Conselhos de Psicologia, que explica os motivos pelos quais o Conselho Federal de Psicologia e os Conselhos Regionais são contra o PL do Ato Médico.

Histórico

Em 2004, diversas categorias da saúde pública no Brasil entregaram mais de um milhão de assinaturas ao presidente do Congresso, organizaram manifestações que reuniram mais de 50 mil pessoas em atos realizados contra o Ato Médico em diferentes cidades e capitais brasileiras.

Essas mobilizações foram importantes, pois profissionais e estudantes de 13 categorias da área da saúde conseguiram explicar à população e ao poder legislativo os enormes prejuízos que o projeto causaria à sociedade brasileira caso fosse aprovado. Foram responsáveis pelo engavetamento do PL até 2009.

Passados cinco anos, o texto aprovado pela Câmara dos Deputados em 21 de outubro de 2009, e que voltou ao Senado, mantém o mesmo vício de origem, que é colocar em rico o cuidado integral preconizado pela Constituição Federal, através do SUS, que é uma das grandes conquistas do povo brasileiro no processo de democratização do país.

Saiba aonde acontece a manifestação em sua cidade

Veículo: JCNetData: 01/03/2010

Não ao ato médico

O Projeto de Lei do Ato Médico, discutido no Senado, se aprovado, além de violentar os direitos de 3 milhões de profissionais da saúde, coloca em risco a saúde da população ao delegar aos médicos o exercício de atos privativos para os quais eles não possuem treinamento. Em sua essência, o Ato Médico regulamenta as atribuições destes profissionais. No entanto, reserva algumas práticas exclusivamente para os formados em Medicina e torna demais profissionais da Saúde subordinados às decisões daquela categoria. Isso significa que os pacientes teriam que primeiro obter um diagnóstico nosológico e a respectiva “prescrição terapêutica”, emitida por um médico, para só depois terem o atendimento por outro profissional da saúde especializado. O fato acaba com o direito da população de ter livre acesso aos serviços de saúde. Na prática, o projeto transforma os demais profissionais em técnicos dos médicos.

Este projeto é no mínimo corporativista e tem como objetivo fazer reserva de mercado para garantir a grande demanda de profissionais na área de medicina. Apresenta-se com uma visão conservadora, autoritária, ultrapassada e privatista das ações em saúde. Tem como referência o velho modelo de saúde centrado no atendimento clínico, individual, medicamentoso e hospitalocêntrico. A compreensão e concepção de saúde que se firmou a partir da realização da 8ª Conferência de Saúde vêm sendo corroborada em todos os espaços institucionais e profissionais, abrangendo a saúde não como um sintoma da doença, mas a saúde na sua amplitude preventiva e social. A relação “saúde/doença” passa a ser caracterizada como decorrente das condições de vida e de trabalho e da necessidade de acesso igualitário de todos os serviços que objetivem a promoção, proteção e recuperação da saúde.

Ao fundamentar a proposta e a adequação da emenda constitucional nº 34, de 2001, a Comissão Especial, destinada a proferir parecer sobre a proposta, considera que “tornou-se anacrônica a concepção autoritária que via o médico como o único agente promotor de saú-de. A moderna perspectiva do Movimento da Reforma Sanitária considera que para se promover a melhoria quantitativa e qualitativa do sistema de saúde é indispensável o concurso de todos os profissionais da saúde, como médicos, bioquímicos, cirurgiões dentistas, assistentes sociais, biólogos, enfermeiros, engenheiros, sanitaristas, farmacêuticos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas e psicólogos e outros. Essa compreensão traduz o conceito de saúde, que é contemplado e recepcionado por todas as correntes teóricas que hoje estudam e atuam nesta área.

Esses conceitos devem ser muito criteriosos para que os políticos passem a se posicionar favoráveis ou contrários, uma vez que demostra seu verdadeiro interesse pelo bem da coletividade, no caso os usuários do sistema de saúde, ou interesses de uma determinada categoria, bem como demostram seu real conhecimento da política atual de saúde do país que é gestada no SUS e todos os seus princípios. Me parece que os posicionamentos são contraditórios até entre a própria categoria médica. Já li vários posicionamentos contrários ao projeto . Senhores políticos: pensem e estudem melhor para não serem pegos de surpresa nas próximas eleições. http://www.atomediconao.com.br/

O autor, Pedro Edgar, é defensor do SUS

Veículo: ClickPBData: 01/03/2010

rofissionais da Saúde realizam protesto contra “Ato Médico” no dia 9 de março

Psicólogos, enfermeiros, profissionais de Educação Física, fisioterapeutas realizam, no próximo dia 9, às 8h00, no Liceu Paraibano e na Assembléia Legislativa, o ato de mobilização e conscientização contra o Projeto de Lei 7703/2006, o chamado “Ato Médico”.

Em tramitação no Senado desde o último dia 29, o texto regulamenta o exercício profissional da medicina no Brasil, mas atinge direta e negativamente os princípios do Sistema Único de Saúde referente à ação integral de saúde. Se tornar-se Lei, os médicos terão poder privativo e exclusivo de prescrição, como por exemplo, de atendimento psicoterápico.

Segundo a tesoureira do Conselho Regional de Psicologia, Edésia Almeida, o projeto de Lei interfere diretamente no trabalho coletivo e na interdisciplinaridade, pois diz no artigo 4º quais as atividades privativas do médico como, por exemplo, a formulação do diagnóstico e respectiva prescrição terapêutica; indicação e execução de procedimentos invasivos, como os diagnósticos, terapêuticos ou estéticos.

“ Não somos contra a regulamentação da profissão do médico, mas como está proposto é um grande retrocesso. O projeto de Lei limita a autonomia do indivíduo em tomar decisões sobre sua saúde, assim como inviabiliza o acesso da população diretamente ao psicólogo e as outras categorias. A lei repassa e confunde a população sobre uma falsa idéia de “subordinação” em relação aos médicos”, disse Edézia .

Para o presidente do CRP-13, Hélio Pacheco, se transformado em lei, o “Ato Médico” criará uma situação de conflito, com descrições que poderão gerar equívocos e tentativas de manipulação de cerceamento do exercício profissional de psicólogos e outros profissionais de saúde, a exemplo da rejeição da inclusão da palavra “médica” após a expressão da “indicação terapêutica” o que poderá resultar em tentativas de prescrição por parte de alguns médicos de outras indicações terapêuticas como fisioterapêutica, terapêutica ocupacional, dentre outras.

“O conhecimento psicológico é produzido pela ciência psicológica e não pela medicina. Conhecimento este que não é contemplado, em amplitude, nos currículos do curso de medicina no Brasil e, portanto, não habilitam o médico para realizar, sequer, diagnósticos psicológicos das psicopatologias e, menos ainda, da capacidade mental, perceptocognitiva e psicomotora ou a realizar avaliações”, disse Hélio.

Veículo: SEGSData: 28/02/2010

Enfermagem se mobiliza contra a lei do Ato Médico

No dia 27 de fevereiro, das 14h às 17h, no Parque do Ibirapuera, o Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo, COREN-SP, participa da Virada da Saúde, um evento que tem como principal objetivo alertar a sociedade para as conseqüências da aprovação do Projeto de Lei 7.703/2006, a chamada Lei do Ato Médico. A matéria já foi aprovada pela Câmara e segue para votação no Senado.
O Ato Médico pretende, entre diversos pontos controversos, submeter a realização de qualquer procedimento de assistência à saúde a prévia avaliação e autorização dos médicos. Desta forma, se aprovada, a Lei do Ato Médico comprometerá a atuação de psicólogos, fisioterapeutas, farmacêuticos, nutricionista, fonoaudiólogos, enfermeiros, entre outros – todas profissões já regulamentadas por leis e com práticas consolidadas e autônomas.

Durante a Virada da Saúde, conselhos de regulamentação do exercício profissional, sindicatos, escolas e representantes das profissões da área da saúde estarão no local para uma grande manifestação de alerta à sociedade sobre o teor deste projeto de lei que, se aprovado sem modificações, resultará numa grande mudança no atendimento da saúde no Brasil.

Na tenda do COREN- SP, tanto profissionais de saúde como o público em geral serão convidados a participar de demonstrações e treinamentos em técnicas de ressuscitação cardio pulmonar, com o uso de bonecos para as demonstrações e também para a correta prática do auto exame de câncer de mama. “Toda a população está convidada a participar destas atividades. Também convidaremos os presentes a assinar um documento contra a aprovação do PL 7.703/2006, que será encaminhado aos Senadores, em Brasília”, explica o presidente do COREN-SP, Cláudio Alves Porto.

Segundo o dirigente do Conselho de Enfermagem, o Ato Médico, da forma como se apresenta, invade as competências das demais profissões da Saúde, rompe com conceitos de multidisciplinaridade defendidos pela Organização Mundial da Saúde e, principalmente, impede o usuário de ter livre escolha sobre qual o profissional de saúde que ele quer que o atenda. “A aprovação do Ato Médico irá comprometer diversas ações bem-sucedidas de Saúde Pública, como o Programa de Saúde da Família, Casas de Parto, segurança alimentar, entre outros, que são de competência de profissionais de enfermagem e de colegas de outras áreas da saúde, todos plenamente capacitados, legal e tecnicamente, para este trabalho”, afirma o presidente do COREN-SP.

Ele que explica ainda que a manifestação não é contra a regulamentação da profissão médica, mas sim a favor de que cada profissão da área de saúde tenha respeitada a respectiva regulamentação já existente, e que possam realizar as tarefas e procedimentos que legalmente já lhes cabem

Veículo: Cruzeiro do SulData: 02/03/2010

Jovens protestam em frente à Case

Cerca de 80 estudantes dos cursos de Psicologia, Enfermagem e Fisioterapia da Unip (Universidade Paulista) protestaram na manhã de hoje em frente a nova fábrica da Case. A manifestação é contra o projeto de lei do Ato Médico que tramita no Senado Federal, dando aos médicos o privilégio de uma série de procedimentos em detrimento de outras áreas da Saúde.

A ideia dos estudantes foi chamar a atenção da mídia, que devido a presença do presidente Lula e alguns políticos na inauguração da nova fábrica da Case New Holland, estava concentrada no local.

Eles chegaram na entrada da Case por volta das 10h e carregavam uma faixa que dizia: Sorocaba diz não ao ato médico!

Os jovens permaneceram no local cerca de 30 minutos.

Veículo: CRN9Data: 09/03/2010

MOVIMENTO CONTRA O ATO MÉDICO MOBILIZA PROFISSIONAIS EM BH

O centro de Belo Horizonte se tornou, neste dia 09 de março – Dia Nacional de Luta Contra o Ato Médico, espaço de união dos profissionais das diversas áreas de saúde. Reunidos no coração da cidade, a Praça Sete, dirigentes e representantes de conselhos, sindicatos, entidades, professores e estudantes manifestaram contra o projeto de lei 7.703/2006, que institui o ato médico.

Diversos representantes se manifestaram, sensibilizando a população que passava pelo centro da capital. Beatriz de Carvalho, vice-presidente do Conselho Regional de Nutricionistas da 9ª Região – CRN9, ao fazer uso da fala, ressaltou a importância do encontro de luta dos profissionais de saúde, no espaço público, a praça, contra “aquilo” que lhes tira a autonomia de atuação.

Chamamento a todos os profissionais, em todas as áreas da saúde

O avanço nas conquistas depende da soma de forças e ações. Neste sentido, Heloísa Magalhães, secretária do CRN9, fala da importância de união em defesa dos interesses da categoria. “Os profissionais da área de saúde devem se envolver com questões políticas e públicas ligadas à profissão, com visão no interesse coletivo e com prática na integralidade”, defende a diretora.

Um dos coordenadores do movimento, Rogério de Oliveira, presidente do Conselho Regional de Psicologia – CRP-MG, vê no ato médico um engessamento da atuação profissional. E avalia que a saída para os problemas da saúde não é uma visão corporativa, hierarquizada e privilegiada da área da medicina. “O respeito a todas as profissões deve ser requisito básico, e todos devemos estar juntos, somando esforços pelo melhor para a sociedade”, defende Oliveira.

A coordenadora do curso de nutrição da Universidade José do Rosário Vellano – Unifenas- Campus Belo Horizonte, Sabrina Pinheiro Fabrini, defende uma ação de conscientização da sociedade, de que o ato médico representa um retrocesso. “A ação primária e a saúde preventiva vão sofrer grandes consequências com o projeto de lei 7.703”, adverte. E, olhando para o espaço acadêmico, Fabrini defende que os estudantes também assumam a bandeira de luta contra o ato médico. “Os acadêmicos são futuros profissionais, portanto, ele, junto conosco, precisa estar ciente do cenário político de defesa da profissão”, conclama.

VOCÊ PODE MOBILIZAR NA SUA CIDADE, E CONSCIENTIZAR A POPULAÇÃO E OS PROFISSIONAIS!

MOVIMENTO CONTRA O ATO MÉDICO

Informações: (31) 3226.8403

Acesse o site Não ao Ato Médico: www.naoaoatomedico.org.br

Matéria produzida por Antônio Coquito, jornalista e assessor de comunicação do CRN9

Veículo: Alo Alo BrasilData: 09/03/2010

Conselhos Profissionais promovem a Virada da Saúde contra o Ato Médico

O Conselho Regional de Psicologia de Goiás e Tocantins (CRP-09) e demais Conselhos Profissionais promovem a Virada da Saúde Contra o Projeto de Lei (PL) do Ato Médico hoje, nove de março, na Praça Universitária, em Goiânia. O evento integra a Campanha Nacional Contra o Ato Médico, que acontece simultaneamente em todas as capitais brasileiras. A mobilização começa às 9 horas com atendimentos profissionais gratuitos para a população e segue até às 18 horas, quando a programação será encerrada com o show da dupla Rezende e Renato.

A Virada da Saúde é um evento multidisciplinar realizado pelo CRP-09 em parceria com os Conselhos Profissionais de Nutrição, Farmácia, Assistência Social, Biomedicina, Educação Física, Enfermagem, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Optometria, Radiologia e Terapia Ocupacional. Profissionais de todas estas áreas vão prestar atendimento gratuito como forma de mobilizar a população sobre os riscos que a aprovação do PL do Ato Médico pode provocar à saúde. Durante todo dia, os profissionais vão prestar os seguintes atendimentos gratuitos: aferição de pressão arterial, exame de glicose, orientação psicológica, acupuntura, terapia manual, orientação social, atividades físicas, quiropraxia, orientação fonoaudiológica e cinesioterapia.

Os representantes dos Conselhos Profissionais entendem que o projeto fere a autonomia destas profissões e impossibilita o desenvolvimento das relações interdisciplinares na área da saúde. Nos últimos sete anos, os profissionais da saúde se manifestaram contrários à aprovação do PL do Ato Médico, que foi aprovado em primeira instância na Câmara dos Deputados. Atualmente, o projeto, que continua pautado pelos mesmos princípios de hierarquização das profissões e reserva de mercado, retornou ao Senado Federal para ser avaliado em última instância e depois encaminhado ao presidente da República.

A presidente do CRP-09, Heloiza Helena Massanaro afirma que, da forma como está redigido, o PL tira a autonomia de outros profissionais da saúde e coloca em risco o cuidado integral à saúde preconizado pela Constituição Federal para o Sistema Único de Saúde (SUS), uma das grandes conquistas do povo brasileiro após a redemocratização do país. O Ato Médico pretende tornar privativo da classe médica todos os procedimentos de diagnóstico, indicação de tratamento, realização de procedimentos invasivos e a possibilidade de atestar as condições de saúde, desconsiderando a trajetória das demais profissões que constituem o cenário da saúde na ótica do SUS.

O texto também torna privativa do médico a chefia de serviços médicos, indicando uma hierarquização que não corresponde aos princípios do trabalho multiprofissional que precisa ser construído na saúde. No projeto, não está definido o que são serviços médicos, o que implica em diversas interpretações, entre elas, que qualquer serviço de saúde, por tratar de saúde e ter médico na equipe multidisciplinar, deve ser considerado um serviço médico, sejam eles: ambulatórios, centros de atenção psicossocial (CAPS), hospitais, núcleo de apoio à saúde da família ESF/Nasf, entre outros.

Veículo: Jornal de Santa CatarinaData: 09/03/2010

Projeto interfere na atuação de outros segmentos

Mayara Rinaldi, especial

Profissionais e estudantes da área da Saúde participaram de manifestações nesta terça-feira em Florianópolis, Lages e Chapecó contra o Projeto de Lei 268/2002, que trata da regulamentação da profissão de médico e que tramita no Senado.

De acordo com os manifestantes, o projeto, conhecido como Ato Médico, interfere na atuação de outros profissionais da Saúde.

— Nós somos favoráveis à regulamentação, mas não da forma com está elaborada. Com esse projeto, as pessoas teriam que passar sempre pelo diagnóstico de um médico antes de ser encaminhadas para outros profissionais, e a prescrição de medicamentos seria feita exclusivamente por médicos. Para dar um exemplo bem simples, uma enfermeira não poderia aplicar uma vacina sem uma prescrição — disse o presidente do Conselho Regional de Psicologia, Celso Tondin.

Outro ponto questionado por Tondin é o trecho do texto que determina que os serviços da área médica devem ser chefiados apenas por médicos:

— A saúde é essencialmente multiprofissional, e esse projeto, na nossa opinião, fere os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), que preserva o atendimento integral à população.

Conselhos discutem assunto com senadora

Na Capital, profissionais e estudantes de Psicologia, Fisioterapia e Terapia Ocupacional, Farmácia, Enfermagem, Serviço Social, Nutrição e Educação Física participaram da passeata. Eles se concentraram no Largo da Alfândega e caminharam por diversas ruas do Centro da cidade, distribuindo panfletos contra o projeto.

O assessor da senadora Ideli Salvatti (PT-SC), Cláudio Schuster, que recebeu uma carta dos manifestantes pedindo a não aprovação do projeto, avisou que a senadora confirmou uma reunião com os presidentes dos conselhos profissionais para esta quarta-feira, às 13h, no gabinete de Florianópolis. O mesmo pedido foi encaminhado aos senadores Raimundo Colombo (DEM-SC) e Neuto de Conto (PMDB-SC).

A manifestação contra o ato médico ocorreu em outros 18 estados do país.

Veículo: Gazeta OnlineData: 09/03/2010

Estudantes e entidades de classe protestam contra ‘Ato Médico’

Estudantes e profissionais de áreas da saúde realizaram na tarde desta terça-feira (09), em Vitória e Vila Velha, um ato público de repúdio ao projeto de lei intitulado de “Ato Médico” que tramita no Senado. O projeto estabelece que apenas os médicos deverão ter o direito de realizar o diagnóstico das doenças e a prescrição de tratamento. As 13 classes da saúde declaram que, se aprovado, os profissionais vão perder espaço no mercado de trabalho.

A coordenadora do ato público em Vitória e presidente do Conselho Regional de Psicologia do Espírito Santo, Hildicéia dos Santos Afonso, afirmou que os pacientes do Sistema Único de Saúde serão os mais prejudicados já que, para eles terem acesso a serviços, por exemplo, de psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos ou de nutricionistas, terão que ter encaminhamento de um médico.

“Todo procedimento que a população precisar de um outro profissional que não seja médico, só poderá ser encaminhado com a indicação médica. Só o médico pode indicar o paciente ao psicólogo, ao fisioterapeuta, a terapia ocupacional. Isso é um projeto de lei corporativista. Se uma pessoa que depende do SUS precisar de um psicólogo, por exemplo, primeiro vai ter que ir ao médico e pedir um encaminhamento”, afirmou.

Em caso de pacientes particulares, a procura poderá ser feita diretamente ao profissional, todavia, os profissionais não vão poder fazer qualquer tipo de diagnóstico do problema. Alguns procedimentos, como o de acupuntura, só poderão ser realizados por médicos.

Outro dispositivo do projeto de lei determina que apenas médicos poderão ser chefes de unidades de saúde, pronto- atendimentos ou centros de atenção psicossocial. Atualmente, muitos desses lugares, segundo Hildicéia, são chefiados por enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais.

As profissões que passarão a ter as atividades restritas com a aprovação do projeto são: Enfermagem, Serviço Social, Odontologia, Psicologia, Fisioterapia, Terapia Ocupacional, Biomedicina, Nutrição, Educação Física, Fonoaudiologia, Farmácia e Biologia. A proposta já foi aprovada pela Câmara e está em tramitação no Senado.

Veículo: Rádio MetrópoleData: 09/03/2010

Profissionais de saúde fazem manifestação na tarde de hoje em Salvador

Profissionais de saúde da Bahia irão realizar na tarde desta terça-feira (9) uma manifestação contra o Ato Médico, às 16 horas, na Praça da Piedade. A ação faz parte de um movimento nacional e deve acontecer em outras 17 cidades brasileiras. Entre as especialidades envolvidas no protesto estão profissionais de optometria, enfermagem, farmácia, fonoaudiologia, psicologia e fisioterapia.

O Projeto de Lei do Ato Médico Nº 268 DE 2002 (Nº 7.703/06 do Senado) surgiu em 2002 e hoje tramita com caráter de urgência no Senado. A proposta busca regulamentar a profissão da Medicina e coloca vários procedimentos, que hoje são feitos em equipes multidisciplinares, como exclusivo dos médicos, como, por exemplo, a elaboração de diagnósticos nosológicos, cargos de chefia de equipes de saúde e a realização de procedimentos invasivos, além de estabelecer uma hierarquia entre a medicina e as demais profissões da área.

Os profissionais de saúde tem se manifestado constantemente contra o projeto de lei, inclusive com a elaboração de um abaixo-assinado na internet. De acordo com eles, o Ato Médico dá “a 340 mil médicos a exclusividade de exercer atos privativos de 3 milhões de profissionais da saúde (biomédicos, enfermeiros, farmacêuticos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas, profissionais da educação física, psicólogos, técnicos em radiologia e terapeutas ocupacionais)”.

Veículo: Câmara Municipal de Belo HorizonteData: 09/03/2010

Vereadores da CMBH dizem não ao Ato Médico

Em ato público realizado na Praça Sete de Belo Horizonte no dia 9 de março de 2010, diversos profissionais, conselhos profissionais, sindicatos, estudantes e usuários dos serviços de saúde reuniram-se para dizer não ao Ato Médico, projeto de regulamentação profissional (Projeto de Lei 7703/06) da medicina que tramita no Senado Federal.

O evento ocorreu simultaneamente em vários estados e faz parte da campanha apoiada por diversos conselhos profissionais — entre eles o de Psicologia, o de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, o de Biologia e o de Nutrição — visando a dissuadir os senadores a votarem favoravelmente ao projeto. No plenário Amynthas de Barros, durante a realização da reunião plenária da Câmara Municipal de Belo Horizonte, vários vereadores se pronunciaram em solidariedade à campanha contra o projeto de lei.

“Toda profissão tem que ser regulamentada”, afirma o vereador Professor Ronaldo Gontijo (PPS), que é fisioterapeuta e biólogo, “mas o projeto de regulamentação da medicina que está no Senado hoje está deturpado”. O parlamentar acredita que se o projeto for aprovado da maneira que se encontra, quatro milhões de outros profissionais da saúde poderão ser prejudicados.

Segundo Gontijo, “regular a medicina criando exclusividades [de função e atuação] em detrimento de outras profissões é altamente prejudicial”. De acordo com os cálculos do vereador, é provável que a população venha a pagar muito mais caro pelos serviços, pois será criada uma reserva de mercado protegendo os médicos.

Reserva de mercado

Em consonância, o presidente do Conselho Regional de Psicologia Minas Gerais, Rogério Oliveira, que participou do evento na Praça Sete, disse que “é muito importante esclarecer os usuários sobre o teor do projeto de lei, pois eles serão os mais afetados”. Para Oliveira, o Ato Médico é centralizador e “não respeita a diversidade”, podendo criar “uma hierarquia na Saúde, com a medicina no topo”.

Um dos problemas aventados pelos críticos do Ato Médico é o fato de que, com sua transformação em lei, qualquer cidadão que queira consultar-se com um fisioterapeuta, psicólogo, nutricionista etc. terá que primeiramente ir a uma consulta médica, encarecendo o custo total de seus gastos com saúde. Apesar de atualmente não ser obrigatória a visita ao médico antes de se consultar outros profissionais, alguns planos de saúde já atuam de acordo com esse padrão.

Outro problema refere-se à divergência do caráter do Ato Médico, que alegadamente cria reserva de mercado e interfere no trabalho de outras profissões, e do Sistema Único de Saúde, que enfatiza a promoção à saúde e o atendimento integral e interdisciplinar dos profissionais aos usuários do SUS.

Informações na Superintendência de Comunicação Institucional (3555-1105/1445).

Anúncios

3 Respostas para “Ato Médico

  1. Pingback: Repasses da Reunião do FENPB 11/03/10 « Conselho Regional de Estudantes de Psicologia do Estado de São Paulo

  2. sou contra o ato médico,não é de hoje que a máfia dos conselhos de medicina vem detonando com saúde dos brasileiros, de farmácia virou drogaria e realmente virou uma droga,tiraram da farmácia os estimulantes cerebrais que muitos alunos de faculdades usavam em época de provas para varar noite estudando,pegar um bailão ou varar a noite trabalhando,era um remédio feito da planta mahuangue a efedrine de laboratórios de qualidade,havia também pequenas dosagem em remédios para gripe,voce ficava animado e recuperava rápido,tiraram as ingeções de óleo vitaminadas e thiaminose composta de b1,b2,b6,b12 e glicose eu tomava de três em três meses ia na farmácia e falava pro farmacêutico carca uma thiaminose de 20 cc na veia,na década de 60 e 70 praticava atletismo eu fui tri campeão dos jogos abertos de minas dos 800,1500,3000,5000 mts em 70 com 20 anos eu tinha o sexto tempo dos 10000mts do brasil graças aos farmacêuticos e fisioterapeutas em 72 eu tive um acidente na praia medico ortopedista na consulta disse que não era nada e me receitou antiframatorio não melhorei me indicaram um fisioterapeuta ele me deixou novo totalmente curado,ele trabalhava com um medico e na casa dele depois que aposentou ficou so na casa dele com seu trabalho,a máfia dos médicos tomaram a cama especial que ele mandou fazer e o forno conheço caso de menina minha visinha que médicos não resolveram que estava com ultimo osso ou cartilagem da coluna fora do lugar na época ela tinha uns 6 anos ele com autorização da mãe ele colocou enfiando o dedo no anus e colocou o ultimo ossinho da coluna no lugar acabando com seu sofrimento,la atrás quantos casos que a incopetencia dos médicos não resolvia você ia no farmacêutico ele acertava de cara porque ele estuda as formulas dos medicamentos e experiência meu pai foi enfermeiro fes inúmeros partos normais,SALVOU VIDAS no citio dele longe da cidade uma garotinha foi mordida por cascavel ele carregava com ele vacina antiofídico salvou a vida da menina hoje com tanta com ato medico ela estaria com sequelas ou morta.Na falta dos estimulantes cerebrais os alunos de faculdades hoje muitos usam cocaína.Abaixo reserva de mercado do ato medico e que venha os médicos de fora e Hermanos cubanos.ABAIXO CARTEL DO CONCELHO FEDERAL DE MEDICINA ESSES NEM TRABALHAM SO PEGAM DINDIM DO CRM E TAMBEM ABAIXO TODAS AGENCIAS REGULADORAS,ANS,ANEEL E OUTRAS SÓ ATRAPALHA DESENVOLVIMENTO DO BRASIL,TRABALHAM PRA ENTERESSES ECONOMICOS SÃO AS FORÇAS OCULTAS COMO BRIZOLA FALAVA.VAMOS CONTINUAR PROTESTOS MAS CIVILIZADO ABAIXO CARTEIS AVANTE BRASIL E RESPEITO A TODAS AS PROFIÇÕES DA SAUDE.INTUSIASMO COM LUZ DE DEUS.

  3. se com a soma das 13 profissões a saúde está este caus;com a individualidade então é que nada vai andar…
    digo não a ao ato médico.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s