Cartilha sobre Pagas

Conselho Regional de Estudantes de Psicologia do Estado de São Paulo
26 de Fevereiro de 2012.

 

 

Hoje em dia diversas pessoas estão no ensino superior, destas, grande
parte se encontra nas instituições particulares, fato que desencadeia
algumas questões fundamentais sobre a situação de ensino em nosso país.
Como discutir a qualidade de ensino de nossas Universidades? É
satisfatória a qualidade do ensino em nosso país? Ainda temos muito que
melhorar. Para isso precisamos de uma base sólida que permita essa
discussão. A base que nos permite partir em busca de uma melhor
qualidade de ensino parte, do nosso ponto de vista, do tripé pesquisa,
ensino e extensão. Não há como desenvolver educação de qualidade sem a
presença destas três instâncias.
O que observamos em nossas Universidades é a falta de unidade.
Professores brigando por poder. Espaço físico e político, além das verbas,
são fontes de disputa entre nossos professores, o que acarreta num ensino
de preconceito a determinada posição política e abordagem psicológica.
Um curso não pode atingir um nível aceitável de qualidade se não possui
um plano político pedagógico bem definido e plano de ensino para as
disciplinas. O seu curso tem um projeto político pedagógico e seus
professores seguem um plano de ensino? Ou há muita briga e disputa entre
eles para provar qual conhecimento é mais apropriado? Isso diminui a
qualidade do ensino. Importante destacarmos também que a constante
disputa entre o corpo docente é, na verdade, uma máscara que encobre o
abuso de poder por estes exercido, e nós, estudantes, somos os mais
prejudicados.
Outra questão importante é a qualidade dos alunos formados em nossas
Universidades. O que observamos é que muitos alunos acabam se
formando sem um conhecimento sólido. Como mudar isso? Planos de
ensino sem relação com o projeto político pedagógico influenciam
negativamente nossa formação. Somos formados para atender o mercado
de trabalho e assumir atitudes técnicas e mecanicistas, mas não
conseguimos diferenciar a ciência da profissão, a área do conhecimento do
campo de atuação profissional. O conhecimento torna-se fragmentado.
Podemos levantar, ainda, mais um ponto de discussão: os professores
substitutos. Eles são contratados para trabalhar apenas em sala de aula e
não desenvolvem pesquisa. O professor não produz conhecimento novo,
não publica artigos em revistas de qualidade, o que não agrega valor ao
nosso país, o que vai contra o modelo pesquisa, ensino e extensão definido
em nosso ponto de vista.
Além disso, atualmente, temos presenciado em nossas universidades, a
demissão em massa de professores bem qualificados, em contradição com o
aumento abusivo de mensalidades. Ou como nas universidades públicas em
expansão, onde nem mesmo as condições básicas de ensino (salas,
bibliotecas e laboratórios) estão sendo garantidas.
As mensalidades tem sofrido reajuste e muitas vezes abusivos,
consequentemente sendo um sufoco para o estudante arcar com as despesas
e concluir os seus estudos, obrigando-o muitas vezes a ter uma jornada de
trabalho que atrapalha sua própria formação.
Diante de tantas dificuldades, o quanto a universidade está interessada
em retornar esse financiamento do estudante em benefício para ele próprio?
Os fatores que garantam a permanência do aluno recaem sobre as
questões como:
-A formação que temos que não extrapola o conteúdo tecnicista da sala
de aula, não proporcionando autonomia do professor sobre a aula e a
metodologia de ensino, não oferecendo oportunidade de aprendizado extraaula
como grupos de estudos, pesquisas, monitoria, extensão, congressos,
palestras, workshops; bem como o próprio espaço físico como salas
apropriadas, laboratórios bem equipados e espaços de convívio dos
estudantes.
– alimentação: o estudante diariamente não tem um preço acessível à
refeição dentro da universidade, tendo consequentemente mais gastos e
uma alimentação não saudável.
– transporte: além da burocratização da garantia da carteirinha de
estudante, a indiferença das universidades em problematizar e custear o
trânsito do estudante.
-materiais: para uma boa formação o estudante precisa de uma vasta
referência bibliográfica e assim é imprescindível que se tenha uma
biblioteca estruturada, sala de estudos, acesso à internet, auxílio no preço
de Xerox e facilidades na aquisição de livros.
-Nossa condição social implica na nossa formação e para isso a
universidade precisa estar atenta a essas demandas para garantir que essas
condições não comprometam a permanência estudantil, desse modo é
importante que existam auxílios de creche aos estudantes que tem filhos
pequenos e apoio à saúde do aluno (com médico, enfermeiro, psicólogo,
dentista e assistência social),
-Devido ao alto valor pago por essa formação, não seria inapropriado
pensar que a universidade também deve auxiliar com uma moradia próxima
e adequada.
O caminho para que a universidade seja uma instituição que atenda às
demandas necessárias para um ensino de qualidade é longo, mas nós
estudantes podemos e devemos tomar uma atitude participativa a fim de
alcançarmos o nosso grande objetivo: um país que ofereça ensino de
qualidade para todos. Mas como podemos ajudar? Primeiro devemos
responder à seguinte pergunta: O seu investimento em tempo e dinheiro é
utilizado de uma forma que você considera correta e benéfica para a sua
formação?
Praticamente todas as decisões que organizam a Universidade são
tomadas pelos Colegiados de Curso. Segundo a Lei de Diretrizes Básicas,
15% desses espaços deveriam ser formados por alunos, o que na prática
não acontece, refletindo na falta de democracia e na centralização das
decisões em poucas pessoas. Em algumas escolas, por exemplo, não é
permitido aos estudantes que se reúnam ou que se expressem através da
publicação de panfletos e cartazes. Fatos que são contraditórios, já que
somos nós, estudantes, que participamos de grande parte da construção das
Universidades e acabamos sendo prejudicados com essa falta de
democracia e liberdade imposta pelas Instituições. E mesmo esses 15% de
participação de alunos nos Colegiados que a lei define, não é um número
satisfatório diante da nossa importância.
A partir dessas e de outras contradições vivenciadas por nós estudantes,
surge à importância/necessidade de nos organizarmos coletivamente. Os
Centros Acadêmicos são ferramentas dos estudantes diante das mais
diversas questões que atravessam nossa vida. Outros dois exemplos de
organização coletiva dos estudantes de psicologia são o COREP-SP
(Conselho Regional dos Estudantes de Psicologia do Estado de São Paulo)
e a CONEP (Coordenação Nacional de Estudantes de Psicologia), onde
diversos alunos de diversas escolas se reúnem periodicamente para
discussão e atuação em conjunto. São nesses espaços que temos a
possibilidade de lutar por democracia e consequentemente por um ensino
de melhor qualidade.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s